A moça de vestido preto

História escrita por Luiz, da comunidade Amino Terror:Under the Bed.

Quando eu tinha entre 6 e 7 anos, minha mãe trabalhava em um manicômio, eu estudava de manhã, e, na hora do almoço, minha mãe me buscava para passar o dia com ela naquele lugar sinistro. Numa quinta-feira, eu saí da escola exausto e fui com minha mãe até o trabalho dela quase me arrastando; chegando lá, comecei a falar com minha mãe:

—Mãe, eu quero dormir!

—Você sabe que não tem lugar para você dormir aqui! Espere sentado na sala de espera ou, se quiser, se deite num quarto vazio.

Arrepiei-me de cima até embaixo só de pensar em ficar sozinho num daqueles quartos, dizendo:

—Eu??? Sozinho??? Vai que a enfermeira doida me mata!

—Já te falei inúmeras vezes que não existe essa enfermeira assassina! É história dos funcionários para assustar as crianças que não ficam quietas!

—Mas…Mas…

—Sem “mas”! Vai querer ou não?!

—Tá! — disse eu, me arrepiando com medo.

Fui andando naqueles corredores com portas gigantes até chegar à última sala. Ao abrir a porta, me deparei com a claridade. Fechei a porta e subi na cama, eu já estava cochilando, mas me assustava a toda hora com os gritos dos pacientes dos outros quartos.

Quando peguei no sono, foi o melhor momento daquele dia. Dormi por mais ou menos 2 horas e meia.

Acordei assustado e com a visão embaçada, olhei ao redor da cama. Subiu um arrepio pelas minhas costas ao ver uma figura escura no canto da parede, ela ficou ali parada por alguns segundos até que desapareceu num piscar de olhos. Levantei-me meio tonto e corri para a porta, tentei abrir e… Merda! A porta estava trancada! Eu pensei na hora: — “Aquelas enfermeiras me trancaram aqui sem saber de mim! Agora vou ter que esperar minha mãe vir aqui.”

Eu pensei em gritar, mas me lembrei que eu poderia incomodar os pacientes, deixá-los incomodados e levar uma bronca das enfermeiras. Sentei-me numa poltrona branca ao lado da cama e fiquei ali encolhido.Depois de alguns minutos ali, senti alguém colocando a mão sobre meu ombro e não aguentei, gritei desesperado!

-AH, Socorro, mamãe!!

No mesmo instante, os móveis começaram a ser lançados contra as paredes e o chão, e eu fiquei ali na poltrona, gritando desesperado.

Foram 5 segundos até que eu vi uma figura escura feminina se aproximando de mim, não tinha rosto, mas tinha cabelos tão grandes que pareciam tentáculos se movimentando e um vestido longo escuro.

Ela foi se aproximando cada vez mais perto de mim, e, quando ela me agarrou pelo pescoço, as enfermeiras entraram no quarto.

Eu corri para os braços de minha mãe e, chorando, falei:

—A moça do vestido preto quer me pegar, mamãe.

Ela respondeu muito assustada:

—Que moça? Foi um pesadelo, apenas! Para com esse escândalo.

Eu me assustei, e, quando olhei para trás, o quarto estava em perfeito estado, nada quebrado. Resolvi aceitar o fato de um pesadelo no momento, apenas para não comprometer minha mãe em brigas.

Naquela noite, cheguei à minha casa e fui para o quarto de minha mãe onde havia um espelho na parede e, ao olhar, consegui ver as marcas em meu pescoço as quais tenho até hoje.

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