A amiga imaginária

Tinha um primo que, quando pequeno, tinha uma amiga imaginária chamada Lilith. Pelo menos era o que todos pensavam.

Ele sempre “brincava” com essa amiga imaginária. Inclusive, às vezes, brigava. Era muito comum ouvirmos este primo começar a chorar do nada, e quando íamos verificar o que tinha acontecido, ele dizia que a Lilith havia batido nele.

Meus tios começaram a se preocupar, pois estes episódios de choros repentinos estavam se tornando cada vez mais frequentes. Alguma vezes até hematomas meus tios encontravam neste meu primo. Ao ser questionado como ele havia se machucado, ele culpava esta tal de Lilith, mas meus tios nunca acreditavam, achavam que meu primo estava se machucando para chamar a atenção, pois esses “ataques” eram mais comuns quando tinha visita na casa deles.

Mas meus tios chegaram no limite quando viram meu primo chorar pressionando o braço onde havia uma marca profunda de mordida. O braço do meu primo estava esvaindo em sangue. Ele disse que a Lilith o havia mordido após ele falar que queria brincar com as outras crianças, e que estava chato ficar brincando com uma mulher de 47 anos.

Neste dia eles decidiram levar meu primo a um psicólogo.

Após alguns dias de acompanhamento com o psicólogo, ele foi encaminhado para um psiquiatra, onde mais tarde foi diagnosticado com esquizofrenia. E logo começou a tomar remédios fortes para controlar a doença.

De certa forma, funcionou, as crises de choros do meu primo diminuíram, mas os hematomas só aumentavam.

Isso levou meus tios a tomarem uma decisão horrível. Uma noite, antes de irem dormir, colocaram uma espécie de babá eletrônica com câmera no quarto do meu primo e decidiram amarrar os braços e as pernas dele para que ele não se machucasse. Meu primo estava tomando tantos remédios que mal conseguia se mexer, estava quase que completamente dopado, então conseguiram amarrá-lo facilmente. A única reação que ele teve ao ser amarrado foi soltar uma única lágrima pelo canto do olho esquerdo. Minha tia diz que isso cortou muito seu coração, mas que aquilo era a única forma dele não se machucar mais.

Após terminarem de amarrar meu primo e se certificarem de que ele estava bem, foram para o quarto deles que ficava ao lado do quarto do meu primo. Disseram que não conseguiram pegar no sono por estarem se sentindo péssimos com o que estavam fazendo com o próprio filho deles.

Após algumas horas, começaram a ouvir sons estranhos vindo da babá eletrônica, como se fosse um tipo de gemido e uma risada maléfica. Imediatamente minha tia pegou a babá eletrônica e viu algo que diz que nunca irá esquecer:

– Vi uma mulher caminhando em direção ao Lucas. Ao chegar perto dele, o levantou com tanta força que estourou a corda com que amarramos o Lucas como se fossem linhas de costura. Neste momento fomos correndo para o quarto dele.
Ao chegarmos lá, o Lucas estava flutuando, como se alguém invisível o estivesse carregando. Seus braços e pernas estavam sangrando devido a força usada para estourar as cordas. Ao olharmos para o espelho, conseguimos ver a imagem clara da mulher que o carrega. Esta mulher possuía olhos completamente brancos, sorria de uma forma tenebrosa, no lugar de unhas haviam garras que penetravam o corpo do Lucas, sua pele era escura, parecia putrificada, havia um cheiro de podre no quarto do nosso filho.
Ao tentarmos avançar para perto do Lucas, vimos através do espelho aquele ser demoníaco rasgar a barriga do nosso filho e sumir repentinamente. Neste momento o Lucas caiu com tudo no chão, seus intestinos se espalharam ao redor de seu corpo e com lágrimas nos olhos, sem força nem para gritar, meu filho olhou pra mim e disse: “Eu nunca menti pra você, mamãe”.

Isso aconteceu há 10 anos. Ontem, meu irmão de 6 anos veio apresentar sua amiga imaginária Lilith para mim. Disse que sua amiga tinha 57 anos e que havia conhecido nosso primo Lucas que morreu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *