A garota da brincadeira do compasso

Certa vez, estávamos eu, minha irmã, minha prima e mais alguns amigos em casa e decidimos fazer a brincadeira do compasso.

Como minha avó é sindica do prédio, decidimos pedir uma chave de um apartamento vazio e fomos até lá para brincar.

Ao chegar no apartamento, vimos que não tinha luz nenhuma, o que deixou a brincadeira mais emocionante. Pegamos algumas velas e acendemos para que pudéssemos iniciar a brincadeira.

Todos bastante nervosos e ansiosos ao mesmo tempo, posicionamos o papel com os números, as letras do alfabeto e as palavras “Sim” e “Não” e começamos a brincar.

Todos com o dedo em cima do compasso perguntando:

– Tem alguém aí?

Esperamos por pelo menos 10 minutos e nada aconteceu. Tentamos novamente:

– Se tem algum espírito aí, mova esse compasso.

Esperamos mais alguns minutos e o compasso enfim começou a se mover até chegar na palavra “Sim”.

Então começamos a fazer mais perguntas:

– Qual seu nome?

Assim que terminamos de perguntar o compasso começou a se mover para as letras:
Primeiro “G”, depois “A”, depois “B”, “R”, “I”, “E”, “L”, “A”.

Eu, particularmente, não estava acreditando em nada, estava achando que era algum amigo nosso manipulando o compasso.

E lá se foram mais perguntas:

– Você é um fantasma?

Novamente o compasso se movendo até a palavra “Sim”.

Perguntamos se ela havia morrido naquele prédio. O compasso se manteve no “Sim”.

Perguntamos se ela havia morrido naquele apartamento. O compasso se manteve no “Sim”.

Então decidi ser mais ousado, perguntar como ela havia morrido, provavelmente teria que mover o compasso muitas vezes para escrever tudo o que tinha acontecido e provavelmente, se fosse um amigo que estava movendo o compasso, ele se perderia nas letras e erraria as palavras. (Como sou esperto!!).

Fiz a bendita pergunta:

– Como você morreu?

O compasso simplesmente não se mexeu. Já imaginei que quem quer que estivesse movendo o compasso estava sem criatividade o suficiente para inventar uma morte para a suposta fantasma.

Ao olhar para a cara de todos os que estavam participando, percebi que todos estavam com cara de assustados, menos eu. Neste momento um vento gelado entrou no apartamento apagando as velas, ficando tudo completamente escuro. Neste momento minha prima e minha irmã deram um grito de susto e logo em seguida ouvimos um barulho de descarga vindo do banheiro do apartamento. Neste momento saímos correndo de medo e deixando tudo para trás.

Voltamos para o apartamento da minha avó e contamos o que havia acontecido, ela falou para voltarmos ao outro apartamento para fechar tudo e tirar as coisas que deixamos lá.
Chegando lá, as velas estavam acesas, como se nunca tivessem sido apagadas. Ela foi até o banheiro para ver se estava tudo bem, pois falamos do barulho de descarga, e ao chegar lá ela deu um grito e voltou pálida.

Perguntamos o que tinha acontecido, e ela nos respondeu com outra pergunta:

– Quem fez aquilo no banheiro?

Todos se olharam com cara de interrogação, afinal de contas, ninguém havia entrado no banheiro. Então perguntei:

– Aquilo o quê? nem entramos no banheiro.

Ela nos levou até lá e levantou uma vela em direção ao espelho. No espelho estava escrito com sangue os dizeres: “ESTUPRADA E DECAPITADA”.

Foi aí que percebemos que aquilo era a resposta da nossa última pergunta.
Perguntamos para minha avó se ela conhecia alguma Gabriela que morou ali. Ela nos olhou assustada e perguntou quem tinha nos contado aquela história. Foi aí que falamos que esse nome apareceu na brincadeira do compasso e que o barulho no banheiro surgiu depois que perguntamos como ela havia morrido.

Minha avó, depois de se recuperar do susto, nos falou que Gabriela era uma menina que foi assassinada por um bandido que conseguiu entrar no apartamento fazendo os pais dela reféns. O bandido, como uma forma de crueldade, amarrou os pais da Gabriela e a estuprou na frente deles, e após estuprá-la, ele cortou a cabeça dela com uma faca de cozinha.

Minhas noites de sono nunca mais foram as mesmas depois dessa história. Para ajudar, não terminamos a brincadeira do compasso como deveríamos e nos esquecemos de pedir para sair da brincadeira.
Atualmente, quase todas as noites acordo às 3 horas da manhã com paralisia do sono, e no canto do meu quarto enxergo um vulto de uma garota que aparenta estar querendo falar alguma coisa, mas não consegue por estar se engasgando com seu próprio sangue.

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