– Por que eu? CreepyArt

Primeiro colocado no evento #CreepyArt da comunidade Amino Terror: Under the Bed.

Parabéns, ᴍʀ. Եօxic.

Autor da CreepyArt: ᴍʀ. Եօxic.

Crédito pela imagem: Ren.

9 Anos Antes…

Lá estava eu, ouvindo os incontroláveis gritos, gritos agonizantes, gritos de dor, gritos de minha mãe. Na sala ao lado, tendo sua nova filha (minha irmãzinha). Eu tinha 6 anos quando ela nasceu, e quando eu e meu pai abrimos desesperadamente a porta da sala, vimos os olhos das enfermeiras enaltecendo a recém-nascida.

A doçura daqueles olhos fechados e um choro leve, quase transformando o parto em um milagre. Eu, ansiosa para não me sentir mais sozinha, seguro ela em meus braços trêmulos. Eis que seus olhos inesperadamente abrem-se, revelando-se claros e azulados.

O nome dela… era Merida.

[°°°]

Alguns mágicos e seis longos anos se passam.

Um dia, me vejo alegre em um dia ensolarado, recheado por paz, no qual Merida corre pelo gramado do quintal, e seus rabos de cavalo loiros voam pelo ar. Mas… um dia… eu me vejo em seu funeral.

Não haviam encontrado a causa específica da morte, a não ser que tenha sido decapitação.

Misteriosamente, pois ela foi encontrada assim na floresta, enquanto brincava.

Eu havia sido tomada por uma outra pessoa, agora, naquele momento, eu era alguém que não via alegria em um dia ensolarado, mas via conforto em dias de chuva e trovões.

Minha mãe e meu pai haviam se separado, e eu havia ficado às custas de minha mãe.

O povo, a juventude… pobre juventude. Os outros outrora não davam a mínima à autoestima dos jovens, mas hoje – sem ser mais necessário – eles arruínam-na mais e mais, achando que ajudam. Como posso afirmar algo absurdo do tipo?, minha mãe, sempre olhando as lâminas dos facões como se tivesse algum desejo obscuro. Assassinato? Suicídio? Ou paranoia?

6 Anos Depois…

Quando você tem 12 anos, já dá para se dizer que você é alguém ‘maduro’, mas eu não acredito nisso.

Fico desenhando nas partes mais altas da folha do meu caderno. Enquanto não presto atenção na aula, o sinal toca. Guardo em minha mochila meus materiais e parto para o portão. Lá, eu encontro um veterano e velho amigo de classe, Micheal. Ele era respeitado, mesmo sendo quieto e inexplicavelmente gentil, uma pessoa de respeito. Eu tinha um relacionamento bem próximo com ele, mesmo ele tendo muitos amigos.

– Ei, Micheal! Quer ir ao Grillbys hoje? – Faço este convite cumprimentando-o.

– Claro, videogames para a noite toda. – Ele parece animado e disposto.

Junto, nós caminhamos uma trilha para dobrar um quarteirão. Eis que Micheal ouve passos fortes no terreno e sinaliza para mim. Nós nos viramos, achando ser algum assalto ou apenas uma pessoa passando. Mas não, uma menina de vestido vermelho e uma bexiga tomando a visão de sua face simplesmente aparece em nosso caminho.

Ela parecia assustada. Micheal, após uma troca de olhares comigo, se aproxima da menina e pergunta – Você está perdida? – Um silêncio fulminante responde a Micheal. A menina continuava parada em sua posição.

– Você precisa de ajuda? – Micheal pergunta e, mais uma vez, ela não o responde. Micheal tenta encostar na bexiga que tapava o rosto da criança, mas antes de ele mexê-la, a garotinha libera berros e mais berros. A sequência de palavras entre os berros era sem sentido e nós dois não entendíamos o porquê.

– FOI VO-CÊÊÊ !!! – Gritava e berrava, incessantemente, a menina. Micheal e eu, sem muita escolha, vamos correndo para longe daquela criança.

[°°°]

Após uma incômoda noite de fliperama, eu acordo em minha cama e depois vejo a terrível notícia da morte de Micheal. Ele foi encontrado enforcado em sua casa, e disseram que foi suicídio. Eu fui ao velório, onde ele, de terno, era enterrado, as pessoas murmurando palavras de tristeza.

Depois disso me senti desolada mais uma vez. Eu fiquei as minhas férias inteiras deitada na cama, cogitando um suicídio. Meus piores pesadelos emergiram da depressão e tristeza.

Uma destas noites eu sonhei com um corredor escuro, sem vida e assustador. Então, acordando em um pulo, vejo ao meu lado uma garota de vestido vermelho, uma cabeça em suas mãos e, mais uma vez, gritando – A CULPA FOI SUA!!! FOI SUA!! FOI SUA!! –

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